Videochamada com "advogado" simulado por inteligência artificial, ligação de um suposto gerente de banco, falsa defensora pública, falso sobrinho e até um falso delegado: uma sequência de golpes registrados em delegacias de Jundiaí e divulgados entre segunda (26) e quarta-feira (28) causou prejuízo somado de cerca de R$ 99 mil a moradores e a uma instituição da cidade, segundo boletins de ocorrência relatados pelo Jornal da Região. Os casos servem de alerta também para quem mora em Campo Limpo Paulista e nas cidades vizinhas, já que as abordagens são feitas por telefone e aplicativo de mensagens e não têm fronteira.
Advogado "de mentira" em videochamada
Um dos casos envolveu a tesoureira de uma instituição de Jundiaí, cujo nome não foi divulgado. Ela entrou em uma videochamada pelo WhatsApp com quem acreditava ser o advogado da entidade, acompanhado de um homem que se apresentava como "procurador". Segundo a reportagem, as imagens dos participantes teriam sido manipuladas ou geradas por inteligência artificial. Com a promessa de um depósito de R$ 5 mil ligado a um processo e o argumento de que era preciso "proteger" contas vinculadas ao CPF, ela fez três transferências via Pix que somaram R$ 23.660. O caso foi registrado como estelionato.
A modalidade não é nova na cidade: em setembro, segundo a Tribuna de Jundiaí, um casal de Jundiaí perdeu R$ 183 mil depois de ser abordado por criminosos que usavam o nome e a foto do advogado da família e citavam dados reais de um processo.
Falso gerente e falsa Defensoria
Um morador recebeu ligação pelo WhatsApp de um número com a foto de um gerente do Bradesco, que citou uma suposta cobrança irregular em um posto de combustível. Como a vítima havia abastecido pouco antes, a história pareceu verossímil. Seguindo as instruções para "proteger" a conta, ele perdeu R$ 63 mil. O registro foi feito no 3º Distrito Policial.
Em outro caso, uma aposentada de 53 anos foi abordada por uma mulher que dizia ser advogada da Defensoria Pública e anunciava a vitória em uma ação. Orientada a usar um segundo celular e a seguir comandos por vídeo, ela acabou com duas transferências não autorizadas que somaram R$ 9.958. Segundo a reportagem, a Defensoria informou que não faz depósitos por telefone, que todos os procedimentos são feitos presencialmente em suas unidades e que não tem nenhuma advogada com o nome usado pela golpista em Jundiaí.
Falso sobrinho e falso delegado
Uma idosa de 78 anos recebeu mensagens de alguém que se passava por sobrinho e pedia ajuda para pagar um produto em um site de vendas. Ao clicar no link enviado, teve o celular invadido e sofreu saques de R$ 893. Já um homem de 40 anos, que havia conhecido uma jovem em uma página de relacionamentos, foi procurado por um "delegado" que o acusava de conversar com uma menor e exigia R$ 22 mil para encerrar uma suposta denúncia. Ele chegou a transferir R$ 1.500 antes de desconfiar e procurar uma delegacia, onde confirmou que se tratava de golpe.
Em todos os casos, a autoria é desconhecida e ninguém foi preso até a última atualização das reportagens.
INSS também alerta para site falso
Na quarta-feira (28), o INSS alertou que circula um site falso de "concurso" do instituto. Segundo o órgão, não há concurso autorizado nem inscrições abertas, e o INSS não cobra taxas de inscrição. Informações devem ser checadas em gov.br/inss ou pelo telefone 135, de segunda a sábado, das 7h às 22h.
Como se proteger
- Bancos não ligam pedindo senha, número de cartão, transferência ou Pix para "proteger" a conta, segundo a Febraban. Desligue e retorne pelo número do cartão ou pelo aplicativo.
- Recebeu contato de advogado, defensor ou órgão público prometendo dinheiro? Confirme pelos canais que você já conhecia antes de qualquer pagamento — nunca pelos contatos enviados por quem ligou.
- Desconfie de videochamadas com câmera desligada, imagem estranha ou pressa excessiva. Rostos e vozes podem ser simulados por inteligência artificial.
- Não clique em links recebidos por mensagem e não instale aplicativos a pedido de terceiros.
- Polícia não cobra dinheiro para "arquivar" denúncia. Em caso de ameaça ou extorsão, procure uma delegacia.
- Se cair em golpe, avise o banco imediatamente para bloquear contas e acionar o mecanismo de devolução do Pix, e registre boletim de ocorrência — inclusive pela Delegacia Eletrônica da Polícia Civil de São Paulo.
Fontes consultadas
- Jornal da Região — Instituição de Jundiaí sofre golpe de R$ 23 mil com I.A. de advogado
- Jornal da Região — Morador de Jundiaí perde R$ 63 mil no golpe do falso gerente
- Jornal da Região — Mulher cai em golpe acreditando que era da Defensoria Pública
- Jornal da Região — Idosa cai no golpe do falso sobrinho
- Jornal da Região — Falso delegado exige R$ 22 mil
- Jornal da Região — Site de "concurso do INSS" é falso
- Tribuna de Jundiaí — casos anteriores do golpe do falso advogado em Jundiaí
- Agência Brasil — orientações da Febraban contra golpes bancários
Imagem de capa: ilustração gerada por inteligência artificial para fins editoriais.

